COVID-19: Funcionamento do IEDE

Durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o IEDE está seguindo as orientações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) para proteger seus pacientes e evitar uma contaminação ainda maior da população pelo vírus.

O IEDE está aberto, mas com atendimento restrito. As consultas de rotina estão canceladas e a orientação é que não procure a unidade se estiver com suspeita de coronavírus. Permaneça em casa. Só procure uma Unidade de Pronto Atendimento caso apresente febre, dificuldade de respirar e queda importante do estado geral.

Confira os procedimentos realizados no IEDE neste momento.
  • Atendimentos de pacientes com diabetes (especialmente em uso de insulina), hipertireoidismo, neoplasia da tireoide e de risco cirúrgico na cardiologia que não possam ser adiados;
  • Distribuição de remédios na farmácia;
  • Renovação de receitas de medicação controlada (LME).

O telefone do IEDE está disponível para informações: 2332-7154

Encontro do IEDE e AACE Brazil 2020

Uma parceria inédita, entre o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione e a American Association of Clinical Endocrinologists (AACE), marca a 49ª edição do Encontro Anual do IEDE. Este ano, o evento será em conjunto com o AACE Brazil (Annual Meeting of The AACE Brazilian Chapter), coordenado pelo Dr. Francisco Bandeira.

As atividades científicas acontecem no dia 20 e 21 de novembro, no Vogue Square Convention Center, na Barra da Tijuca, e unem a excelência dos debates baseados em evidências da AACE com o conhecimento e ética do tradicional evento do IEDE. A ideia é promover um intercâmbio de conhecimento, com formato dinâmico e interativo, abordando os temas mais relevantes na prática clínica.

A montagem da programação científica está em andamento e os nomes dos palestrantes estão sendo discutidos. Entre alguns dos assuntos já definidos estão: tratamento do diabetes, obesidade e suas complicações, microcarcinoma da tireoide e abordagem do tratamento dos sintomas da menopausa. Os doutores Simon Heller, Hossein Gharib e John Bilezikian são os palestrantes internacionais confirmados.

Mais detalhes sobre inscrições serão divulgados em breve no site oficial do evento.

Turma do Jubileu de 25 Anos

Além dos tradicionais Prêmio José Schermann e Medalha Francisco Arduíno, o Encontro Anual do IEDE também teve outro momento especial. A Turma do Jubileu completava 25 anos de formados no IEDE e homenagearam os professores da época.

A escolha dos professores foi promovida em uma votação pelos residentes e pós-graduandos da turma. Os homenageados foram o Dr. Maurício Barbosa Lima, a Dra. Dayse Caldas e a Dra. Edna Pottes Pinto. Além disso, o Dr. Ricardo Meirelles também foi lembrado pelos 30 anos à frente do IEDE.

 

Projetos 2020

Na abertura e no primeiro dia do 48º Encontro Anual do IEDE, a Dra. Cynthia Valério, presidente da ASSEP, e o Dr. Ricardo Meirelles, diretor do IEDE, anunciaram oficialmente a realização do próximo encontro em 2020, que acontece em conjunto com o AACE Brazil.

O AACE Brazil é um evento consagrado internacionalmente e aconteceu nos dias 15 e 16 novembro em Recife, com a coordenação do Dr. Francisco Bandeira.

Durante o evento, foi definido o projeto 2020, trazendo a edição do AACE para o Rio de Janeiro. Ele será realizado durante o Encontro do IEDE. Uma iniciativa inédita no Encontro do IEDE e no AACE Brazil.

A notícia foi recebida com entusiasmo pelos participantes.

48º Encontro Anual do IEDE

São dois dias de atividades no Encontro Anual do IEDE, promovido pela ASSEP – Associação de Ensino e Pesquisa do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione – acontecendo no Hotel Windsor Marapendi, na Barra da Tijuca.

Vejam os registros feitos pelo Luiz Póvoa, médico e membro da Diretoria da ASSEP, e que tem a fotografia como um hobby especial.

Clique em cima da foto para ampliá-la.

Imagens do 48° Encontro Anual do IEDE

Encontro Anual do IEDE: Como Chegar

A 48ª edição do Encontro Anual do IEDE será realizada no Centro de Convenções Hotel Windsor Marapendi, mesmo local da edição de 2018.

De frente para a praia da Barra, o hotel fica na Av. Lúcio Costa e próximo a alguns shoppings da região. O hotel conta com um centro de convenções moderno e com mais de 40 salas, distribuídas em quatro andares.

Para o médico que vem de outro estado, o Aeroporto Santos Dumont está a 28km, enquanto o Aeroporto Internacional do Galeão está a 34,5  km do local, sendo 45 minutos de carro. Nos aeroportos, há táxis e ubers disponíveis para chegar ao local. Outra opção também é o metrô Jardim Oceânico.

O Encontro Anual do IEDE acontece nos dias 29 e 30 de novembro. O tema este ano é “Fatos e Fakes em Endocrinologia.”

Inscrições para o 48º Encontro do IEDE

Preencha o formulário para realizar sua inscrição. As instruções de pagamento serão enviadas por e-mail. Qualquer dúvida, entre em contato pelo e-mail: assep.iede2@gmail.com.

  • Os sócios quites com a anuidade de 2019 já estão automaticamente inscritos no evento

Sessão Clínica: Síndrome Lipodistrófica

Síndrome Lipodistrófica relacionada ao tratamento do HIV com HAART

Relato do Caso:

Paciente masculino, 51 anos, com história de HIV em tratamento com HAART (terapia antiretroviral de alta atividade) desde 2008, no momento com carga viral indetectável e DPOC em tratamento com glicocorticoides intranasais.

Compareceu à consulta endocrinológica com nódulo na tireoide achado nos exames de rotina, solicitados pelo seu médico. Nódulo com características ultrassonográficas sugestivas de malignidade, hipótese complementada com PAAF, Bethesda IV, sendo submetido à tireoidectomia total em outubro de 2018.  Histopatológico mostrou microcarcinoma papilífero de 1cm, sendo estratificado como baixo risco e  meta de TSH entre 0,5 e 2 mcUI/ml.

Ao exame físico apresentava sinais claros de lipoatrofia, com diminuição da gordura de bichat em membros, além de lipohipertrofia abdominal com obesidade central.

Na primeira consulta de endocrinologia o paciente já estava usando 100mcg de levotiroxina, porém, apresentava hipotireoidismo descompensado, sendo aumentado a reposição progressivamente no intuito de manter o TSH dentro da meta estabelecida, segundo seu risco de recorrência.

Após 2 anos de pós-operatório, usando 200mcg de levotiroxina, paciente ainda mantinha níveis de TSH fora da meta, apresentando um valor de 49,8 mcUI/ml, retornando à consulta com uma glicemia de jejum de 188 mg/dL, HDL 33 mg/dL, aumento de triglicerídeos 167 mg/dL e alteração das enzimas hepáticas.

Foi solicitado um novo perfil glicídico e metabólico que mostrou glicemia 277 mg/dL, HbA1C 9.8%, momento em que foi diagnosticado com Diabetes Mellitus e dislipidemia. Imediatamente foi iniciada terapia não medicamentosa com orientação a modificação do estilo de vida e a combinação de Insulina Glargina associado a análogo do receptor de GLP-1 (IGlarLixi), 16UI à noite. A levotiroxina foi aumentada para 250 mcg (2.5 mcg/kg), com indicação de troca dos horários das medicações evitando interações medicamentosas.

Após um mês de tratamento, o paciente retornou com controles glicêmicos dentro da meta estabelecida, sendo iniciado metformina XR 500mg (em doses progressivas até 2 gramas/dia) e aumentado para 24UI da IGlarLixi. Em dois meses, houve melhora do controle glicêmico, com HBA1C de 7,6% e TSH 10 mcUI/ml, sendo diminuída a dosagem da associação de IGlarLixi para16UI, adicionado Pioglitazona 30mg e a levotiroxina foi mantida, observando-se  melhor controle dos níveis de TSH.

Discussão:

As taxas de infecção pelo HIV subiram exponencialmente ao longo dos últimos 10 anos, e com isso a eficácia do tratamento de primeira linha alcançou importante e sustentada supressão na replicação viral, elevando a sobrevida e qualidade de vida dos pacientes soropositivos, cuja carga viral passa a ser indetectável com o uso da HAART.

No entanto, esta terapia está relacionada com alterações metabólicas caracterizadas por dislipidemia, resistência à insulina, hiperglicemia e redistribuição da gordura corporal, englobando assim a síndrome lipodistrófica do HIV (SLHIV) que acarreta um aumento considerável do risco cardiovascular.

O desenvolvimento desta síndrome é tempo dependente, sendo que quanto maior o tempo de uso da HAART, maior será a lipodistrofia e mais graves as alterações metabólicas dos pacientes.

Estas alterações acontecem porque a HAART produz uma interrupção na diferenciação dos adipócitos, levando ao aumento de tecido adiposo visceral, maiores quantidades de citocinas pro-inflamatórias, principalmente fator de necrose tumoral alfa, diminuindo a expressão de fatores de transcrição que são indispensáveis para a diferenciação do adipócito, como o CEBP (enhancer binding proteins)e PPAR, levando a uma diminuição de tecido adiposo subcutâneo e consequente diminuição dos depósitos de ácidos graxos, aumentando sua concentração plasmática, o que vai levar à resistência insulínica e hiperglicemia.

O tratamento destas alterações metabólicas está baseado em tratar a fisiopatologia da doença individualizando cada paciente. No caso descrito, a combinação da insulina basal e agonista do receptor de GLP-1 foi a opção de início de tratamento, fornecendo controle glicêmico global e melhorando a adesão ao tratamento. A associação com outros antidiabéticos orais, como os sensibilizadores de insulina (Metformina e Pioglitazona), discutidos na sessão, representam ótimas opções terapêuticas, tanto para o tratamento do diabetes como para melhora dos desfechos metabólicos associados à lipodistrofia.

É importante lembrar de identificar as interações medicamentosas entre a HAART e as drogas usadas para tratamento da SLHIV, além de priorizar o tratamento multidisciplinar para o controle das doenças e a otimização da qualidade de vida desses pacientes, sendo de total relevância o contato entre o endocrinologista e o infectologista durante a tomada de decisões.

  • Orientador: Dr. Rodrigo de Oliveira Moreira
  • Relator do Caso: Giovanni Delmondes
  • Debatedora: Aline A. Buendía da Silva

Bibliografia:

  1. K. S. LEOW et al, Human Immunodeficiency Virus/Highly Active Antiretroviral Therapy-Associated Metabolic Syndrome: Clinical Presentation, Pathophysiology,
  2. and Therapeutic Strategies, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism 88(5):1961–1976, doi: 10.1210/jc.2002-021704
  3. Moreira et al. Diabetol Metab Syndr (2018) 10:26 https://doi.org/10.1186/s13098-018-0327-4, Combination of basal insulin and GLP‑1 receptor agonist: is this the end of basal insulin alone in the treatment of type 2 diabetes? da Cunha J et al . Antiretroviral therapy and lipid metabolism in HIV-infected patients, World J Virol 2015 May 12; 4(2): 56-77
  4. Marcelle D Alves et al. HIV-associated lipodystrophy: a review from a Brazilian perspective, Therapeutics and Clinical Risk Management 2014:10 559–566
  5. Lake et al, Practical Review of Recognition and Management of Obesity and Lipohypertrophy in Human Immunodeficiency Virus Infection, CID 2017:64 (15 May)
  6. Fat Gain in Treated HIV Infection • CID 2017:64 (15 May)
  7. ORSINE VALENTE et al, Síndrome Lipodistrófica do HIV: Um Novo Desafio para o Endocrinologista, Arq Bras Endocrinol Metab 2007;51/1 3

Tecnologia em Diabetes

Simpósio Internacional de Tecnologias em Diabetes*

O Simpósio Internacional de Tecnologias em Diabetes (SITEC) 2019, organizado pela Sociedade Brasileira de Diabetes e que ocorreu em São Paulo entre 25 e 27 de abril, contou com diversos palestrantes brasileiros e internacionais.

Foram discutidos temas de imensa relevância no tratamento do diabetes como novas terapias em estudo, terapia celular, novidades em tecnologia e aplicativos, novos “devices”, para monitorização glicêmica e novos métodos de avaliação do controle glicêmico do paciente em uso de insulina.

Tema bem atual é o conceito de “time-in-range”, que significa o tempo no qual o paciente se encontra com as glicemias entre 70 e 180mg/dL, ao longo do dia. Este novo conceito, que se tornou possível com o uso de sensores (FGM e CGM), permite que possamos avaliar o tratamento de forma mais minuciosa. A ideia vai além do que a dosagem da hemoglobina glicada nos proporciona, mostrando não só o tempo que o paciente se encontra bem controlado, como também a percentagem do tempo em hipoglicemia e hiperglicemia.

Houve também explanação a respeito de novos sensores que devem chegar ao mercado brasileiro ainda este ano e novos sistemas de infusão contínua de insulina. Por último, aconteceram as palestras do Dr. Ralph Ziegler e da Dra. Melanie Rodacki sobre os novos consensos de interpretação das setas de tendências dos sensores atuais. Dra. Melanie apresentou os trabalhos iniciais do consenso brasileiro sobre o tema.

*Dra. Paloma Hess vice-tesoureira da ASSEP-IEDE, gestão 2019-2020

Sessão Clínica: Disforia de Gênero

Na manhã do dia 06 de Junho de 2019 tivemos o prazer de discutir um caso raro de arrependimento após transição de gênero.

Reunimos os responsáveis pela criação do ambulatório de Disforia de Gênero (Dra. Amanda Athayde e Dr. Ricardo Meirelles) com os atuais responsáveis pelo atendimento (Dra. Karen de Marca, Dra. Amanda Laudier e Dra. Luisa Novo) e pudemos esclarecer dúvidas e discutir detalhes do caso apresentado.

Como se trata de um desfecho extremamente incomum, foi fundamental a revisão da literatura feita pelos residentes e a experiência desses profissionais para elucidar condutas possíveis e fatores predisponentes para aliviar o sofrimento do paciente em questão e prevenir novos casos.

Discutimos sobre uma paciente que se autodeclara transgênero feminina (sexo de nascimento masculino e identidade de gênero feminina) com incongruência de gênero desde os 16 anos, e que procurou atendimento para transição hormonal aos 20 anos, em dezembro de 2016.

A história revelava, na primeira infância, pouca interação social, evasão escolar, agressividade, fascinação por consertar objetos, uso de ansiolíticos aos 10 anos e tentativa de suicídio aos 17, após iniciar relacionamento com menino. Fazia uso de hormônios e roupas femininas desde o início de 2016. Na época, relacionava-se com transgênero feminina e foi expulsa de casa.

Iniciou terapia hormonal em fevereiro de 2017 após seguir protocolo de avaliação do processo transsexualizador e liberação psiquiátrica. Em três anos tentou suicídio duas vezes por frustrações pessoais com o tratamento. Em maio de 2019 apresentou interesse por pessoa do sexo feminino que não a aceitava e, por isso, decidiu interromper terapia hormonal demandando tratamento com testosterona.

A prevalência de pessoas que se declara transgênero gira em torno de 0,5% da população, entretanto, a busca ativa por tratamento médico para transição é entre 6 a 9 em cada 100.000. Desses, aqueles que relatam arrependimento representam 1%. Pela definição da OMS, trata-se, portanto, de um desfecho incomum de uma condição rara.

Figura 1. Pirâmide baseada na epidemiologia da Disforia de Gênero e do arrependimento após a transição

Vale ressaltar que a taxa de satisfação com o tratamento varia entre 87 e 97% e as complicações relacionadas ao diagnóstico incluem maior prevalência de portadores do vírus HIV, tentativas de suicídio, depressão, violência física e sexual, além de intenso sofrimento psíquico.

Sendo assim, o tratamento torna-se extremamente seguro e convidativo por apresentar taxa de sucesso elevada, prevenção de diversas comorbidades graves e baixa taxa de arrependimento.

Entretanto, por ser grave, esse desfecho requer atenção e prevenção. Por isso, é importante verificar rigorosamente possíveis fatores de risco e respeitar os critérios clínicos e de tratamento, já que essa medida se mostrou eficaz em reduzir tal complicação.

Figura 2: Fatores de risco relacionados ao arrependimento após transição de gênero

Figura 3: Critérios Diagnósticos para Disforia de Gênero

Os critérios para indicar tratamento hormonal incluem disforia de gênero persistente e bem documentada, capacidade para decidir e consentir com o tratamento, maioridade legal e compensação das comorbidades clínicas e psiquiátricas.

As cirurgias que incluem gonadectomia são irreversíveis e apresentam como critério adicional a inclusão de um tempo mínimo de 12 meses com terapia hormonal satisfatória e vivência no papel social desejado. Esse período muitas vezes é suficiente para que o paciente possa se ajustar, rever suas expectativas e decidir sobre a cirurgia com mais clareza.

No caso em questão, o paciente apresentava alguns fatores de risco e, embora os critérios para diagnóstico e terapia hormonal tenham sido respeitados, não foi possível evitar o desfecho. A equipe multidisciplinar ainda busca a melhor forma de aliviar o seu sofrimento, sendo a sessão clínica uma ótima oportunidade de esclarecimentos e inspiração.

Referências:

Eli Coleman, et al. (2012). Normas de atenção à saúde das pessoas trans e com variabilidade de gênero (7ª ed.)

Marta R. Bizic et al. Gender Dysphoria: Bioethical Aspects of Medical Treatment. 2018, Hindawi BioMed Research International

Chantal M. Wiepjes, et al. Amsterdam Cohort of Gender Dysphoria Study. J Sex Med 2018;1-9.

Sam Winter, et al. Transgender people: health at the margins of society. June 17, 2016.

Byne, et al.; Transgender Health 2018, 3.1